Now Playing Tracks

eudiferente:

Ela dança por aqui e corre sempre aos cantos para poder chorar sem eu a ver. Com seu vestido vermelho, ela dança depois de se levantar, me leva nos braços e nós dois flutuamos. E enquanto ela dança comigo eu sinto o cheiro de seus longos cabelos negros, e afago-os. Ela segura minha mão e eu a giro no compasso da musica. E depois ela corre e chora. E eu, ah, eu sempre fico aqui esperando com cara de bobo, batendo o pé e cantarolando a musica que ela ama dançar. Ela volta e me leva as nuvens e então se vai. E eu fico mais uma vez vendo seu vestido balançar com seus passos longos e rápidos. Eu não preciso dela, mas eu não sei nem mais sentir o perfume das flores, eu só penso no dela. Mas ela não pensa mais em mim (pelo menos eu acho) e não parece se importar em me deixar tanto tempo aqui ouvindo essa musica. Ela se levanta, mas não a quero, não quero dançar só uma musica. Quero alguém que dance o tempo todo. Menina do vestido vermelho, adeus. Agora sou eu que corro aos cantos para chorar.

pecador:

Eu! Quem sou eu? Um ser humano, talvez?  Posso ser apenas um sentimento vago no espaço,  hospedado em uma matéria orgânica viva. Sei que não tem sentido nessas palavras, mas as palavras de um poeta jamais encontraram sentido no dicionário! Mas, espere, não sou poeta, então, posso ser um personagem de um texto escrito por um poeta de verdade e estou apenas escrevendo o que ele quer que eu escreva.

Não estou certo de nada disso, não estou certo se sou quem diz quem sou.  Não quero aceitar, que não passo de nada, mas o que é o nada? Nesse momento, acredito que é ao nada que esse texto me levara, do nada eu vim, e ao nada eu irei. Esses sentimentos pulsantes, poderam um dia queimar num lago de enxofre, só por terem existido, e assim deixarem de existir, mas porque queimar algo que não causou mal a ninguém?

Quem sabe isso não passa de uma preferência desse poeta, que ao invés de amassar o papel que guarda uma historia que não o agradou e arremessa-la ao lixo ele prefira queimar? Tanto faz, se ele não queimar agora, os seus leitores queimaram quando lerem um pouco de mim.

Então se algum dia esse papel chegar há uma prateleira, quero pedir a vocês, caros leitores do Poeta, que leiam as entrelinhas, talvez você possa ter deixado alguma coisa passar em branco, e isso possa fazer toda a diferença no final deste texto, e essa diferença possa ser algo tão verdadeiro quanto esse Poeta, talvez seja o amor.

Eu estava no porta malas de um carro, essa é a primeira coisa da qual eu me lembro depois de ter perdido a consciência por… ah, algum tempo que realmente não tenho a miníma ideia do quanto, minhas mãos estavam amarradas, então eu não podia ver as horas, não que eu estivesse preocupada com isso… Eu estava desesperada, louca, não sabia o que estava fazendo ali, um segundo antes, parecia estar assistindo um show do Blink 182 na MTV, no outro momento estava com medo de escuro, na parte de trás de um carro que eu não sabia de onde tinha surgido, me perguntando aonde nós vamos.
Quando eu menos esperava (na verdade, eu não esperava nada), senti que o carro parecia começar a parar, ou, pelo menos, os solavancos dos buracos tinham parado de me fazer bater a cabeça, bom, eu estava certa. Abriram o porta malas, e o sol de um dia (ou tarde) ensolarado quase desintegrou meus olhos que já tinham quase se acostumados com a escuridão dos fundos daquele maldito carro preto.
- Amanda - disse uma voz rouca, de cigarro, ao que parecia.
- Você me reconhece? - perguntei com uma voz assustada, e estava, o cara usava uma máscara ninja, o que quase deixou as coisas cômicas, se eu não estivesse preocupada demais com minha vida pra pensar em rir.
Ele não respondeu, me puxou forte pelos braços ainda amarrados, e isso me fez perder o equilíbrio, quase caí, mas ele estava me segurando forte demais para mal me deixar cambalear, praticamente me arrastou para um casebre no meio do nada (nada mesmo, nem mato tinha, isso deixou as coisas ainda menos confortáveis, se é que era possível), mas quando entramos… Uau, se havia algum jeito de ser quase luxuoso naquela situação, bom, aquele casebre era, móveis bonitos demais, até para alguém com uma boa renda, tapetes, um computador (que me fez perguntar se havia sinal de internet ali… seja lá onde fosse “ali”), um sofá e uma geladeira.
Assim que entramos, fui jogada no sofá e bati a boca no braço, o que causou um ferimento pequeno, mas que estava começando a arder, minha boca estava seca, e isso não ajudou muito. Ele se dirigiu ao outro lado da sala (a qual se resumia o casebre, uma sala e um banheiro) e abriu a farta geladeira, pegou uma garrafa de água e algo que parecia um doce, bebeu e comeu tudo, mas acabou derrubando a garrafa, pegou um pedaço de vidro e começou a se reaproximar de mim, fiquei quase doente com a apreensão enquanto esperava o momento em que ele finalmente viria para me matar, andava lentamente e parecia sorrir friamente (mesmo estando de máscara, acho que isso era parte da minha mente que começava a enlouquecer). Mas ele finalmente chegou perto o suficiente para dar um golpe fatal, me virou de costas e erguei o pedaço grande de vidro, mas quando pensei que seria meu ultimo momento de vida, senti mais possibilidade de movimento para meus braços, ele tinha me soltado.
Percebi então, que respirava ofegante, afinal, achei que estava inspirando e expirando o ar pelas ultimas vezes, mas ele me virou de frente novamente e tirou a máscara:
- Oi - me senti perdida ao reconhecer o rosto, e junto com isso, me senti um tanto quanto estúpida por não ter reconhecido a voz rouca, que agora soava mais suave… A voz que eu sempre ouvi e sempre quis ouvir. Marlos, o popular da escola, para o qual todas as meninas do colégio sonham em dar.
Tentei responder, tentei respirar, mas as palavras escapam junto com o ar.
- Você está muito atrasada, tsctsc - Ouvi sua reclamação que custei a entender enquanto me distraia com aquela voz tão doce e ao mesmo tempo sinistra. Mas linda.
Eu queria saber o que estava fazendo ali, mas enquanto eu abria a boca para tentar falar alguma coisa (que provavelmente sairiam mais parecidos com gaguejos que com palavras), ele começou a dizer:
- Eu sei que você está confusa, e que normalmente eu mal olho pra você na escola, mas eu já reparei que você sempre tenta estar perto - pois é, todas as meninas tentavam - e eu sempre te achei tão linda, eu fugi de casa, eu não sabia o que fazer, estava sem dinheiro e precisava desesperadamente de companhia, eu te vi pela janela da tua casa e não nenhum carro na garagem e pensei “bom… por que não”. Me desculpe por isso, sei que você não merece, mas se você quiser ir pra casa, eu posso te deixar lá de volta.
Eu, ainda no meu estado de êxtase, comecei a rir, e acho que ele reparou que eu queria ficar com ele. Sim, eu queria, nunca tinha tido, e provavelmente nunca mais teria uma chance como essa de tê-lo comigo.
- É, acho que você quer ficar, mas vou deixa-la dormir, perdoe-me pelo modo como te trouxe, mas precisava disso para poder conversar direito com você, agora durma. - Ele me deu um gole do suco que estava apoiado ao lado do sofá em que eu estava, senti meus olhos abaixarem. Em alguns segundos, adormeci.
Acordei com a barriga doendo, talvez de fome, mas fora isso, me sentia com as energias renovadas, vi que meu celular estava no bolso. Uma hora da tarde. Sim, eu estava com fome, percebi que Marlos não estava em casa e fui até a geladeira, peguei um pão que estava acima dela e comi, não satisfeita, abri novamente a geladeira e peguei uma caixa de leite, na qual bebi direto da boca. Enquanto isso, Marlos entrava em casa e deu um sorriso quando me viu um pouco mais disposta do que da ultima vez, foi até mim e me deu um beijo, tirou a caixa de leite da minha mão e me levou até o sofá, começou a tirar minha camisa. Eu deveria ter resistido, deveria. Não resisti, depois que meu sutiã estava fora do corpo comecei também a tirar sua calça. Ele me virou de costas, levantou a saia que eu estava usando e… bem, vocês sabem.
Algum tempo depois eu estava jogada no sofá com um cobertor em cima de mim, mal conseguia me mexer, eu nunca tinha feito algo assim, e eu me sentia tão bem, me sentia… feliz demais, apaixonada, na posse de uma pessoa que parecia tão inalcançável para alguém simples como eu. Eu estava entregue, e ele, sentado no chão com as costas na parte de baixo do sofá, pareceu perceber. Ele olhou pra mim, e os vestígios de alegria que haviam no seu rosto sumiram, e levaram os meus. Acendeu um cigarro e disse:
- Preciso lhe mostrar uma coisa.
- O que é? - Pela primeira vez eu o respondi, e senti minha voz um pouco fraca e quase tão rouca quanto a dele.
Ele não se deu ao trabalho de responder com palavras, foi até o sofá, pegou um controle remoto e o apontou para um dos cantos da casa que eu, não sei como, não tinha reparado ainda, uma televisão iluminou um pouco mais o ambiente naturalmente escurecido de dentro do casebre. Não sei se por sorte, ou porque isto está se repetindo bastante nas emissoras, a reportagem que ele queria me mostrar estava passando.
Era sobre uma série de assaltos a casas de pessoas ricas ou famosas, feitas, ao que as câmeras podiam perceber, por apenas uma pessoa com habilidade o suficiente para desarmar sistemas inteiros de segurança, que utilizava uma roupa preta e máscara ninja. Então percebi o que ele queria com aquilo, lembrei que, além de lindo e atleta, ele era o que pode se chamar de “nerd” em computação, e sua máscara ninja me fez ter certeza de tudo.
- É… Você.
- Sim amor, sou eu, me desculpe, eu não podia te contar a história toda antes de te… Bom, eu não fugi de casa, meus pais me abandonaram cedo e fui largado num orfanato, morei lá até ano passado, quando completei 18 e pude responder por mim mesmo, sair de casa, roubei esse carro e achei esse casebre isolado e sem dono, me instalei aqui, e agora quero me vingar de meus pais, malditos riquinhos, que se achavam bons demais para cuidar de um filho bagunceiro demais como eu, essa raça de “superiores” não deveria estar aí, por isso não fico com nada do que roubo, jogo tudo no mar, num rio, ou enterro. E eu, meu amor, preciso da sua ajuda, quero algo grande, quero algo muito maior agora, roubar mansões, e mostra-los que não são os todo-poderosos. E, eu sei que eu estava errada, mas tudo o que pude pensar, depois de tudo o que passamos naquele dia, e de tantas declarações, e de tanta perfeição que estava acontecendo comigo, foi:
- Estou contigo.
- Obrigado, minha linda, sabia que não iria me decepcionar, então vá descansar, nós sairemos de casa amanhã à tarde para estarmos pronto para agir à noite.
Depois de dizer isso, me empurrou para o sofá, e tivemos uma ótima noite.
Já acordei hora do almoço, comi algo bem rápido, as primeiras coisas que encontrei, e então ele me levou no carro. Dessa vez, eu sentei no banco da frente, ele abriu o porta malas e vi duas máscaras, vi o que significava, uma seria para mim. Ele me explicou o plano, ele desinstalaria todo o sistema de segurança por fora da casa com aparelhos que ele mesmo tinha construído, depois disso, entraríamos juntos, e tiraríamos tudo o que pudéssemos tirar.
Saímos às 14 horas, e às 20, ele me avisou que estávamos perto. Pouco tempo depois, ele parou o carro, e ficamos ali, nos beijando até ficar tarde. Às onze horas da noite, as luzes se apagaram, meia hora depois, saímos do carro e nos dirigimos à residencia. De início, correu tudo como planejado, entramos facilmente pelos portões do grande casarão branco, passamos pelos jardins com rosas, jasmins, e diversos outros tipos de flores que não parei para tentar reconhecer. Passamos o mais silenciosamente possível. Ele pegou um pedaço de ferro, e abriu a porta principal com uma facilidade que me assustou, entramos e passamos por uma sala inicial quase sem mobília, mas quanto mais entrávamos na casa, mais víamos o que é o poder do dinheiro, muitas TVs, grandes TVs, sofás, quadros, esculturas, era algo incrível. Enquanto eu me deslumbrava com tanto luxo, tudo começou a dar errado, algo que não estava planejado, um alarme soou, enquanto Marlos começava a tirar um jarro de seu apoio, em poucos segundos a casa estava cercada (mas uma das vantagens do dinheiro, se você não tiver bens o suficiente e estiver a ponto da morte, terá que esperar enquanto o mais rico estiver sendo atendido por 5 vezes mais gente do que o necessário para a sua recuperação).
Quando olho pro lado, quase chorando e desesperada, Marlos começava a… fugir, ouvi gritos e batidas estrondosas na porta, mas não sabia o que fazer, enquanto ele tentava arrombar uma janela trancada para escapar, acho que isso nunca tinha acontecido com ele, pois não lembro do seu ferrinho mágico que conseguia abrir qualquer coisa, e eu estava desesperada demais para dizer qualquer coisa que fosse útil naquele momento. Ele estava me abandonando, foi tudo o que conseguo pensar, depois de tudo o que ele me disse, ele fugia, o agarrei pelo braço, enquanto policiais gritavam coisas que eu não conseguia decifrar do lado de fora, mas ele gritou:
- Me largue vadia, você estragou tudo!
Me senti abandonada, mal sentia que estava ali, e a culpa toda caiu nos meus ombros e percebi minha estupidês. Fiz tudo por alguém que eu mal conhecia, e deixei ele fazer tudo o que queria comigo, mas no final, fui deixada, como sempre acontece.
Tiros, e percebi, era tarde demais para me salvar.
E de uma garota sempre tão feliz, com o garoto que ela mais queria na vida, sobrou apenas isso: um corpo jogado, e um coração vazio, substituído com paranoia.
Samuel Rodrigues - Síndrome de Estocolmo (Inspirado na música Stockholm Syndrome, do Blink 182)

(Source: mromance)

To Tumblr, Love Pixel Union